___Atente na seguinte imagem mental: Uma encomenda - uma simples caixa de bolas de ping-pong que acaba de chegar - é colocada pelo estafeta na recepção de um armazém e aguarda que alguém a leve para o seu lugar numa estante. Pare por aqui e grave na memória esta simples imagem.
Esta ideia que transparece no título ocorreu-me há já algum tempo quando o gestor de uma empresa me pediu que o ajudasse a construir um Cuadro de Mando para a sua embalagem.jpgempresa. O gestor, espanhol, não me explicou que o que pretendia era um "simples" Balanced Score Card e eu, pelo sugestivo nome que utilizou - e bem! - erradamente assumi que o que ele porventura pretendia era um quadro através do qual pudesse gerir os recursos do armazém, nomeadamente os humanos. No dia seguinte tunga, tunga, tunga, lá fiz eu, num par de horas, um elaborado plano numa folha de cálculo que permitia calcular o tempo necessário para armazenar e desarmazenar as caixas e paletes que circulavam dentro daquele espaço e poder decidir se os recursos eram suficientes ou não. Podia ainda calcular as necessidades de pessoas ao longo do dia conforme as variações do serviço (Nota: se tiverem paciência e curiosidade podem explorar o ficheiro, um pouco mais abaixo). A folha funcionava na perfeição... mas infelizmente não era o que ele queria!

A história acabaria aqui não fosse o modo como este trabalho simplificou os termos da equação quanto às forças em armazem: cada caixa corresponde a uma quantidade de tempo acumulado e potencialmente à espera de ser libertado. Sempre que se move transforma-se em tempo cinético. O valor de tempo atribuido depende do local onde a caixa será armazenada. Por exemplo, a caixa de bolas de ping-pong do primeiro paragrafo: no absurdo imaginemos que esta simples caixa demora 10 minutos a ser
armazenada (o operador pega na caixa, leva-a ao fundo do armazém, coloca-a na estante mais alta e volta ao ponto de partida) e demora outros 10 minutos para voltar a sair. Poderiamos dizer, quando a caixa se encontra na recepção, que o tempo potencial daquela embalagem é de 20 minutos. Quando ela for colocada na estante o seu valor potencial passa para 10 minutos (para efeitos académicos ignoro o tempo dispendido com outras operações: processamento de documentação, procedimentos de qualidade, etc.). Se apenas houver um operador em armazem, o armazenamento dessa embalagem consumirá 2,08% da totalidade diária dos meus recursos humanos de armazém (10/480*100). Se essa caixa voltar a sair nesse dia esse consumo passará para o dobro (consultem o conceito Full Time Equivalent ou FTE para perceber um pouco melhor este tipo de métricas).
Devemos olhar para o armazem como uma grelha tridimensional em que cada quadricula corresponde a uma unidade de tempo. Podemos assim deduzir que quanto mais longe e mais alto for feito o armazenamento mais tempo consome (TempoArmaz.=Distancia/Velocidade*FP, em que FP é o factor de ponderação de cada localizão da grelha).