Distância transaccional
É comum na literatura sobre educação a distância e e-learning (Moore, 1989; 1993; Shale & Garrison, 1990; Garrison, 2000) distinguir certas especificidades próprias de umaexternal image leadership-picture.jpg?w=300&h=225 interacção desfasada física e temporalmente, i. é, os intervenientes, além de se encontrarem distantes fisicamente, “convivem” também de modo assíncrono. É neste contexto que assenta a noção de distância transaccional, de Moore (1991).

"A transacção a que chamamos educação a distância ocorre entre indivíduos que são professores e aprendentes, num ambiente que tem como característica especial a separação entre um e outro e em consequência um conjunto especial de comportamentos de ensino e de aprendizagem. É esta separação física que leva a um intervalo (“gap”) psicológico e de comunicação, um espaço de potencial incompreensão entre os inputs do professor e os do aprendente, e isto constitui a distância transaccional” (Moore, 1991, pp.2).

Ao considerar que a distância transaccional é um processo psicológico e pedagógico (e não de espaço físico ou geográfico) Moore estabeleceu um modelo que caracteriza a distância de um curso pelo seu nível de interacção e de estruturação. Quanto mais interactivo e menos estruturado for menor será “a distância de um estudante em relação ao seu professor”. Não sendo física nem geográfica, a distância é determinada “pela quantidade e qualidade da interacção e pelo tipo de estrutura pedagógica presentes”. Sendo resultante de um processo psicológico, a distância transaccional está directamente associada à percepção que cada estudante tem da “dinâmica global de interacção” (mais do que da sua própria participação). Ou seja, segundo Shin (2002;2003), o importante é que cada participante se sinta importante e ligado aos outros. O conceito de distância transaccional, assentando num processo psicológico, relaciona-se directamente com a disponibilidade e capacidade -sobretudo psicológicas- de cada estudante no processo interactivo do curso. Esta “presença transaccional” (Shin;2002,2003) revela-se como um factor importante no modo não só como os estudantes percepcionam a aprendizagem, como também no grau de satisfação e na intenção de prosseguir no curso. O desenho de um curso deve ter presentes estes conceitos não menosprezando o facto de que é a diminuição da distância transaccional (e consequentemente o aumento da sua “presença”) que irá determinar o “grau de autonomia do estudante sobre a sua possibilidade de escolher quando e onde aprender”

Comentário: As distância e presença transaccionais, sendo conceitos psicológicos, são determinantes na capacidade de escolha e de auto-motivação dos aprendentes. Não estando relacionadas com a distância física (já que mesmo num curso presencial poderá existir uma considerável distância transaccional) são importantes no modo como deve ser feita a estruturação de cada curso.